HISTÓRIA DA ANOREXIA NERVOSA
Habermas (1986) descreveu um caso altamente sugestivo de anorexia em uma serva, de nome Friderada, que viveu no ano de 895. Após ter se recuperado de uma doença inespecífica, Friderada passou a apresentar um apetite voraz e, para tentar diminuí-lo, foi viver em um convento. Com o tempo, foi restringindo sua dieta e passou a jejuar. Esse quadro persistiu até sua morte por desnutrição. Em seu livro Holy anorexia, Bell (1985) relata que já no século XII mulheres se auto-impunham um rigoroso jejum como forma de se “aproximar” de Deus, as chamadas “santas anoréxicas”.
Um dos casos mais conhecidos é o de Catarina Benincasa, posteriormente Santa Catarina de Siena, alimentava-se de pão e algum vegetal flagelava-se, eventualmente provocava vômitos com ingestão de plantas e chegou a beber pus de um doente em negação à fome. Catarina considerava-se uma ascética, termo que indicava aqueles que negavam os prazeres mundanos (como alimentação, bebida, casamento) para louvar a Deus. (Bell, 1985)
No ano de 1694, Richard Morton (apud Silverman, 1983) é autor do primeiro relato médico de anorexia nervosa, descrevendo o tratamento de uma jovem mulher, com recusa em alimentar-se e ausência de ciclos menstruais, que rejeitou qualquer ajuda oferecida e morreu de inanição.
Na segunda metade do século XIX, a anorexia nervosa emerge como uma entidade autônoma a partir de relatos do francês Charles Leségue (1873) da Anorexie Histerique, e no ano seguinte de William Gull (apud Vandereycken & Van Deth, 1989) que descreve três pacientes com quadro anoréxico restritivo com o nome de “apepsia histérica”.
Em 1903, Pierre Janet, psiquiatra francês, relata o caso de Nádia, uma moça com 22 anos de idade que manifestava vergonha e repulsa ao seu corpo com constante desejo de emagrecer, quadro que denominou de “anorexia mental”.
Habermas (1989) também relata a descrição feita por Jean Martin Charcot, neurologista parisiense, no início do século XX, da busca da magreza e da preocupação excessiva com a forma corporal na anorexia nervosa. Charcot foi o primeiro a referir o uso de espartilhos de maneira abusiva para evidenciar um corpo mais magro.
Foram necessários quase trinta anos para que fossem evidenciadas as diferenças entre dois quadros e o retorno ao conceito psicológico e psiquiátrico da doença.
Fonte: Transtornos Alimentares, Uma Visao Nutricional, Sonia T. Philipi e Marle Alvarenga, Ed. Mahole
Fonte: http://eduhonorato.wordpress.com/2009/01/28/
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