LIVRO: a ditadura da beleza e a revolução das mulheres (Augusto Cury)
Resumo...
A história se desenrola nos Estados Unidos onde Sarah, uma famosa modelo de 16 anos, tenta suicídio por estar obcecada pela aparência física perfeita. Sua mãe, Elizabeth, editora de uma das mais conceituadas revistas femininas do país, é incapaz de ajudá-la a superar a agressividade, a amarga e a depressão. Desesperada com a atitude da filha, Elizabeth decide pedir ajuda ao psiquiatra Marco Pólo, mas Sarah resiste. Em pouco tempo, porém, a habilidade do jovem médico começa a encorajá-la a encarar suas fraquezas e revelar seus terríveis dilemas.O diagnóstico é preciso: assim como outras milhares de mulheres e adolescentes pelo mundo todo, Sarah está sofrendo a síndrome PIB (Padrão Inatingível de Beleza). Massacradas pelo doentio padrão de beleza imposto pela mídia e pelos poderosos empresários, essas pessoas destroem sua auto-estima, sua saúde física e mental.Ao descobrir o real problema da filha e perceber que seu trabalho estaria contribuindo para o agravamento de uma epidemia mundial, Elizabeth resolve colocar em risco o próprio emprego e tentar de tudo para ajudar as mulheres que sofrem caladas com esse drama interior. Ela ajuda a criar um comitê internacional, com as editoras das revistas femininas de maior circulação no mundo, que combateria a Ditadura da Beleza.Marco Pólo e o amigo filósofo Falcão, são incentivadores do movimento, que ganha proporções mundiais. Há vários capítulos com o relato de inúmeras conferências; desfiles de famosos estilistas com modelos que fogem ao padrão de beleza; boicote aos produtos que desrespeitam os direitos humanos e que dilaceram a auto-estima feminina; criação de um site por Sarah e Anna (esposa de Marco Pólo); e-mails e cartas de pessoas que redescobriram o prazer de viver; casos de bulimia e anorexia nervosa que desafiavam a inteligência de Marco Pólo; e o mais bombástico: publicação simultânea, em diversos países, de revistas com mulheres fora do padrão ideal de beleza na capa. Tal atitude ocasionou a demissão da maioria das editoras, o que abalou o comitê mundial.Contudo, o golpe mais cruel foi contra Marco Pólo: alguns empresários armaram uma cilada para desacreditar o psiquiatra e acabar com o movimento. Lisa, secretária do comitê e paciente de Marco Pólo o acusou de assédio sexual. O ilustre psiquiatra foi reduzido a psicopata sexual. Precisou ser desafiado por suas pacientes, Sarah e Rosie, a não desistir de seus sonhos, a ser livre interiormente e tornar-se novamente autor de sua própria história. O psiquiatra que mesmo estando prestes a ser condenado não expôs a vida e as fraquezas de Lisa, sua paciente. Entretanto, a consciência não a deixou em paz e num ato heróico, Lisa escreveu uma carta ao juiz contando a verdade. Marco Pólo foi inocentado e o comitê seguiu sua luta contra a discriminação de mulheres, a violação da infância e da ingenuidade de milhares de crianças e adolescentes através do estereótipo da beleza difundido por grandes empresas.
Análise...
O autor deixa claro, no próprio Prefácio, que optou por escrever em forma de ficção para poder retratar imagens e emoções bastante fortes que habitam sua mente. São histórias de pessoas que “perderam o prazer de viver e a liberdade”. Entretanto, Cury utiliza dados reais no romance, abordando diversos fundamentos já expostos em outros livros do mesmo autor.O romance retrata, de modo bastante realista, o comovente cotidiano das mulheres que sofrem caladas as conseqüências de uma cruel realidade do mundo moderno: a ditadura da beleza. O autor alerta, de modo bastante sutil, para a busca desesperada por um padrão inatingível de beleza que gera auto-rejeição e inúmeros transtornos psíquicos. Não é um tratado científico sobre anorexia nervosa e bulimia, mas uma maneira criativa de chamar a atenção para o fato e resgatar a auto-estima de muitas mulheres.Como todo romance há muitas atitudes heróicas, principalmente da parte de Marco Pólo, que em muitos momentos parece um “Jesus Cristo”, tanto pelas belas palavras e ensinamentos, quanto pela forma como é traído. O personagem é um mestre na arte de pensar e estimular os outros a pensar, é um poeta da existência, assim como o autor da obra. Por ter lido outros livros do Augusto Cury, percebo que Marco Pólo é uma caricatura dele próprio (Augusto Cury) misturado, como já salientei, às qualidades do Mestre dos Mestres (é assim que o autor se refere a Jesus Cristo).Na obra, a humanidade e particularmente as mulheres, são retratadas de duas formas: ora como seres frágeis, emocionalmente encarceradas pelo padrão inatingível de beleza, ora como revolucionárias capazes de se articularem mundialmente, heroínas no palco da existência. Contudo, é justamente tal paradoxo que desencadeia, segundo o autor, uma revolução serena e inteligente contra a dramática ditadura da beleza.O livro, trata de um tema atual e narra a história de diversos personagens, suas alegrias, aventuras, lágrimas e lutas por uma vida mais plena, em que cada pessoa se sinta livre para ser o que é, sem se envergonhar de sua aparência e sem se comparar a ninguém. O autor insiste na idéia de que a beleza está nos olhos de quem vê e que cada ser humano deve ter um romance com sua própria história, pois cada ser é único no palco da existência.
Fonte: http://eduhonorato.wordpress.com/2009/01/28/
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
HISTÓRIA DA ANOREXIA NERVOSA
Habermas (1986) descreveu um caso altamente sugestivo de anorexia em uma serva, de nome Friderada, que viveu no ano de 895. Após ter se recuperado de uma doença inespecífica, Friderada passou a apresentar um apetite voraz e, para tentar diminuí-lo, foi viver em um convento. Com o tempo, foi restringindo sua dieta e passou a jejuar. Esse quadro persistiu até sua morte por desnutrição. Em seu livro Holy anorexia, Bell (1985) relata que já no século XII mulheres se auto-impunham um rigoroso jejum como forma de se “aproximar” de Deus, as chamadas “santas anoréxicas”.
Um dos casos mais conhecidos é o de Catarina Benincasa, posteriormente Santa Catarina de Siena, alimentava-se de pão e algum vegetal flagelava-se, eventualmente provocava vômitos com ingestão de plantas e chegou a beber pus de um doente em negação à fome. Catarina considerava-se uma ascética, termo que indicava aqueles que negavam os prazeres mundanos (como alimentação, bebida, casamento) para louvar a Deus. (Bell, 1985)
No ano de 1694, Richard Morton (apud Silverman, 1983) é autor do primeiro relato médico de anorexia nervosa, descrevendo o tratamento de uma jovem mulher, com recusa em alimentar-se e ausência de ciclos menstruais, que rejeitou qualquer ajuda oferecida e morreu de inanição.
Na segunda metade do século XIX, a anorexia nervosa emerge como uma entidade autônoma a partir de relatos do francês Charles Leségue (1873) da Anorexie Histerique, e no ano seguinte de William Gull (apud Vandereycken & Van Deth, 1989) que descreve três pacientes com quadro anoréxico restritivo com o nome de “apepsia histérica”.
Em 1903, Pierre Janet, psiquiatra francês, relata o caso de Nádia, uma moça com 22 anos de idade que manifestava vergonha e repulsa ao seu corpo com constante desejo de emagrecer, quadro que denominou de “anorexia mental”.
Habermas (1989) também relata a descrição feita por Jean Martin Charcot, neurologista parisiense, no início do século XX, da busca da magreza e da preocupação excessiva com a forma corporal na anorexia nervosa. Charcot foi o primeiro a referir o uso de espartilhos de maneira abusiva para evidenciar um corpo mais magro.
Foram necessários quase trinta anos para que fossem evidenciadas as diferenças entre dois quadros e o retorno ao conceito psicológico e psiquiátrico da doença.
Fonte: Transtornos Alimentares, Uma Visao Nutricional, Sonia T. Philipi e Marle Alvarenga, Ed. Mahole
Habermas (1986) descreveu um caso altamente sugestivo de anorexia em uma serva, de nome Friderada, que viveu no ano de 895. Após ter se recuperado de uma doença inespecífica, Friderada passou a apresentar um apetite voraz e, para tentar diminuí-lo, foi viver em um convento. Com o tempo, foi restringindo sua dieta e passou a jejuar. Esse quadro persistiu até sua morte por desnutrição. Em seu livro Holy anorexia, Bell (1985) relata que já no século XII mulheres se auto-impunham um rigoroso jejum como forma de se “aproximar” de Deus, as chamadas “santas anoréxicas”.
Um dos casos mais conhecidos é o de Catarina Benincasa, posteriormente Santa Catarina de Siena, alimentava-se de pão e algum vegetal flagelava-se, eventualmente provocava vômitos com ingestão de plantas e chegou a beber pus de um doente em negação à fome. Catarina considerava-se uma ascética, termo que indicava aqueles que negavam os prazeres mundanos (como alimentação, bebida, casamento) para louvar a Deus. (Bell, 1985)
No ano de 1694, Richard Morton (apud Silverman, 1983) é autor do primeiro relato médico de anorexia nervosa, descrevendo o tratamento de uma jovem mulher, com recusa em alimentar-se e ausência de ciclos menstruais, que rejeitou qualquer ajuda oferecida e morreu de inanição.
Na segunda metade do século XIX, a anorexia nervosa emerge como uma entidade autônoma a partir de relatos do francês Charles Leségue (1873) da Anorexie Histerique, e no ano seguinte de William Gull (apud Vandereycken & Van Deth, 1989) que descreve três pacientes com quadro anoréxico restritivo com o nome de “apepsia histérica”.
Em 1903, Pierre Janet, psiquiatra francês, relata o caso de Nádia, uma moça com 22 anos de idade que manifestava vergonha e repulsa ao seu corpo com constante desejo de emagrecer, quadro que denominou de “anorexia mental”.
Habermas (1989) também relata a descrição feita por Jean Martin Charcot, neurologista parisiense, no início do século XX, da busca da magreza e da preocupação excessiva com a forma corporal na anorexia nervosa. Charcot foi o primeiro a referir o uso de espartilhos de maneira abusiva para evidenciar um corpo mais magro.
Foram necessários quase trinta anos para que fossem evidenciadas as diferenças entre dois quadros e o retorno ao conceito psicológico e psiquiátrico da doença.
Fonte: Transtornos Alimentares, Uma Visao Nutricional, Sonia T. Philipi e Marle Alvarenga, Ed. Mahole
domingo, 8 de novembro de 2009
A anorexia é transtorno alimentar que se manifesta também em crianças, chamada anorexia infantil.
Conforme o Professor doutor Wilson de Campos Vieira, psicanalista, formado em Filosofia e Psicologia pela UNICAMP, a anorexia infantil não tem as mesmas causas da anorexia da adolescência, são de dois tipos.
Um raro tipo onde a criança apresenta nítidos apavoramentos diante da comida, consequente recusa, juntamente com outras graves pertubações.
E um outro tipo, desta vez bastante comum, na qual a vida social da criança é normal. Este tipo de anorexia pode começar nos primeiros meses de vida e alastrar-se por anos, até a idade adulta. Os pais forçam a criança a comer, aplicam castigos. O fracasso é certo. Imagine você adulto sendo forçado a comer, é torturante. Para a criança a alimentação fica associada à experiência torturante, criando assim uma nova falta de apetite. Chamada também de Anorexia de oposição. No qual torna-se uma "guerra" entre a mãe e a criança, "greve" por parte desta. Uma birra o "vamos ver quem sai ganhando" vai se cristalizando na criança e aparentemente se torna a motivação para permanecer sem comer. Esta anorexia cede com facilidade, se os pais mudam os métodos e buscam orientação do pediatra, psiquiatra infantil ou psicólogo.
Conforme o Professor doutor Wilson de Campos Vieira, psicanalista, formado em Filosofia e Psicologia pela UNICAMP, a anorexia infantil não tem as mesmas causas da anorexia da adolescência, são de dois tipos.
Um raro tipo onde a criança apresenta nítidos apavoramentos diante da comida, consequente recusa, juntamente com outras graves pertubações.
E um outro tipo, desta vez bastante comum, na qual a vida social da criança é normal. Este tipo de anorexia pode começar nos primeiros meses de vida e alastrar-se por anos, até a idade adulta. Os pais forçam a criança a comer, aplicam castigos. O fracasso é certo. Imagine você adulto sendo forçado a comer, é torturante. Para a criança a alimentação fica associada à experiência torturante, criando assim uma nova falta de apetite. Chamada também de Anorexia de oposição. No qual torna-se uma "guerra" entre a mãe e a criança, "greve" por parte desta. Uma birra o "vamos ver quem sai ganhando" vai se cristalizando na criança e aparentemente se torna a motivação para permanecer sem comer. Esta anorexia cede com facilidade, se os pais mudam os métodos e buscam orientação do pediatra, psiquiatra infantil ou psicólogo.
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